Skip to content

Vasos de Barro

Maio 30, 2011

[Um sermão para os estudantes e professores do Instituto Bíblico Português, 19 Maio 2011]

Raramente tenho a oportunidade de falar para um grupo de pastores ou professores. Eu tenho muito respeito por vocês e a maior parte de vós tem mais experiência no ministério do que eu. Vou partilhar um pouco do meu caminho até ao ministério e falar sobre algumas ideias bíblicas que têm formado o meu ministério. Fui pastor durante cinco anos numa igreja num bairro pobre dos Estados Unidos antes de vir para Portugal. Foi uma igreja do tipo missionária, e costumava trabalhar com muitos Cristãos voluntários de outras igrejas na nossa cidade (igrejas Baptistas, Metodistas, Evangélicas, igrejas que não acham que tem uma afiliação …). Aprendi muito sobre a capacidade de todos os Cristãos para o serviço de Deus e estas ideias formam a nossa estratégia para Angola. E o meu caminho para o ministério também tem tido uma grande influência.

Fico intimidado com o acto de falar em público, embora poucas pessoas saibam isso. Foram muitos anos a virar frangos no meu estilo próprio dos pregadores. Eu lembro-me bem da minha primeira mensagem. Tinha 18 anos e pediram-me para dar uma mensagem curta ao grupo dos jovens da nossa igreja. Tinha uma semana para preparar. Eu escolhi a minha passagem, escrevi os meus pensamentos, e recitei a mensagem em frente dum espelho todos os dias. Quando chegou a hora de eu falar, levantei-me, entrei em pânico, li a minha escritura numa voz baixa e tímida, e consegui dizer uma frase só sobre a minha interpretação do texto, e sentei-me. No momento, não podia lembrar-me de nenhum dos pensamentos que tinha praticado.

Sempre tenho sido atraído pela ideia de pregar e ensinar. Eu gosto de partilhar uma escritura e comentar sobre a aplicação à nossa vida. Mas o acto de pregar e ensinar tem sido sempre outro assunto. No primeiro ano do meu curso da universidade, tinha uma aula sobre falar em público. Eu faltei os dois dias que tinha de falar em frente das colegas e fiquei no meu dormitório a tremer de nervoso. Tive de dar ambas as mensagens um dia mais tarde, e recebi uma nota boa – mas com uma penalidade por as mensagens estarem atrasadas. Dois anos depois, na minha primeira aula de pregar, costumava praticar os meus sermões em frente dos meus colegas do quarto para preparar-me para apresentar na aula. Depois dum destes sermões, eu vi o vídeo com a Teague (estávamos a namorar naquele época) e ela disse, “Estas a mover tanto os braços que pareces um pássaro. Tinha muita energia por estar tão nervoso. No meu ano final do curso, pediram-me para dirigir o louvor na nossa capela em frente de três mil pessoas. Durante a primeira canção, a minha perna direita começou a estremecer tão violentamente que devia parecer que estava a dançar. Eu estava com medo que eles me mandassem sair do púlpito por ter Espírito demais!

Depois de nove anos de ministério, mais do que 50 sermões em frente de audiências entre 15 e 500 pessoas, e centenas de lições bíblicas ensinadas, eu ainda fico um pouco nervoso quando falo em frente das pessoas. A única diferença é que tenho ficado melhor a esconder este nervoso. (Não tremo ou perco a minha voz.) Estou grato pelas pessoas que me encorajaram a continuar no ministério apesar desta dificuldade. Com prática e ajuda de muitos mentores, Deus ajudou-me a ultrapassar este obstáculo. Agora eu gosto de ensinar e pregar, e acho que Deus me tem dado algumas capacidades nesta área.

É interessante e divertido reflectir no meu desenvolvimento como pregador. Eu vejo a mão de Deus durante todo o processo e espero com antecipado prazer onde Ele vai guiar-me no futuro. As vezes o caminho é intimidante, mas tenho confiança no conhecimento que Deus nos usa, os “vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.” (1 Coríntios 4:7)

Se o poder for de Deus e não de nós, acho que isso significa duas coisas. (1) Primeiro, nós devemos servir Deus com mais confiança e mais humildade. As vezes isto parece um paradoxo. Uma parte do meu treinamento da universidade era aprender as minhas forças e fraquezas. Ou a terminologia mais bíblica é os meus dons espirituais. Isto foi uma parte importante da correspondência de Paulo com a igreja em Corinto em 1 Coríntios 12-14. Eu sei que tenho alguma tendência para ensinar, e especialmente para administração. Sou um pouco profético; eu não tenho problemas em dizer o que eu acho que Deus quer que as pessoas ouçam. Tenho confiança nestas capacidades e os meus amigos gostam de dizer piadas como, “Ele não tem problemas com humildade.” E, realmente, a humildade não é um das minhas forças mais forte. Mas a minha confiança nestas áreas é porque Deus pode usar-me se eu estiver disposto. Também tenho muito mais fraquezas do que forças. Isso é normal. Ninguém pode fazer tudo. Por exemplo, não sou muito pastoral. Eu ia ser um mau conselheiro. A minha ideia de bom aconselhamento é dizer “Tenta com mais força” ou “Aguenta!” Eu digo isto tudo só para mostrar que podemos ter confiança e humildade ao mesmo tempo.

O nosso poder vem de Deus. Ter confiança nos dons que vêm de Deus não é arrogância. Mas vale pena perguntar à comunidade da igreja se as nossas ideias sobre os nossos próprios dons são verdadeiras. E devemos encorajar os dons de outros.

Tenham confiança. Deus vai usar-vos. É só preciso estarem dispostos e procurarem oportunidades. Eu creio que Deus vai guiar qualquer pessoa que esteja disposta e pronta para servir até às oportunidades para trabalhar no Reino de Deus. Todos têm dons espirituais e se alguém ainda não souber quais são, vai aprender com a experiência.

Paulo disse, 2 Coríntios 3:4-6.

Sejam humildes. Já disse que isso não é uma das minhas áreas mais fortes. Mas eu sei que os nossos dons vêm de Deus. Quando nós nos esquecemos disso, caimos. E provavelmente, isso vai acontecer. Já aconteceu muitas vezes no meu ministério novo. Temos de rodear-nos de mentores, colegas, e amigos fiéis que vão lembrar-nos de onde vêm os nossos talentos e bênçãos e para quem devemos usá-los.

Paulo disse, 2 Coríntios 4:5-6.

(2) A segunda coisa que significa o nosso poder vindo de Deus é que todos os Cristãos podem servir. Não. Todos os Cristãos devem servir. Todos nós temos dons. Mas aqui eu tenho um pouco de problemas com a conversa sobre dons na igreja. Porque às vezes dons tornam-se desculpas. “Não posso fazer aquele serviço porque não é o meu talento.” Todos nós temos a tendência para ficar onde nos sentimos mais confortáveis. Mas Deus também quer que nós cresçamos. Se eu não tivesse continuado a pregar, nunca ia ultrapassar o medo de falar em frente das pessoas. Vamos encontrar talentos novos, se nós experimentarmos onde Deus nos dá oportunidades. Às vezes, o nosso trabalho é só servir onde o serviço é preciso. E todos os cristãos devem fazer isso, não só os pastores.

Em certo sentido, a nossa profissão enfraquece esta doutrina bíblica. Se os pastores só tiverem os dons de pregar ou dirigir ou aconselhar, então nenhuma outra pessoa vai crescer em responsabilidade. Nós dizemos, “A liderança só se desenvolve num vácuo.” Quando nós estamos a tentar dirigir tudo, as outras pessoas não vão tomar nenhuma responsabilidade.

Para mim, esta é uma parte bem difícil de ser pastor. Quase sempre eu acho que eu podia fazer melhor trabalho do que outro. E geralmente, eu tenho razão. Mas esta é uma ideia errada. Eu creio que Deus não crê na ideia que “os fins justificam os meios.” Deus quer crescimento. Um resultado inferior às vezes é melhor, se uma pessoa puder aprender e crescer por este resultado. Os meios são mais importantes do que os fins, porque melhores meios levam ao final certo.

Mais uma história da minha experiência. Costumava organizar um grupo de cristãos que vinham à nossa igreja para mentorar um jovem. Um adulto e um jovem iam ser um par e uma vez cada semana durante o ano, eles iam ler uma lição da Bíblia, falar sobre a vida, e jogar jogos para se relacionarem. A maior parte dos nossos jovens eram das famílias monoparentais de uma mãe com quatro ou mais filhos. Havia três tipos das pessoas que vinham servir no nosso ministério. Os primeiros vêm por causa de culpa. Estas pessoas geralmente eram cristãos ricos que tinham pena das crianças pobres. O segundo grupo vinha para ser obediente a algum princípio bíblico. Geralmente, não eram as pessoas mais amáveis mas iam comover-se quando encontravam uma criança. O terceiro grupo vinha por causa do amor verdadeiro pelas crianças. Entendiam as dificuldades das famílias pobres e queriam ajudar mesmo uma criança que não quisesse ajuda.

O primeiro grupo – pessoas que vinham por culpa – sobrevivia muito menos tempo do que os outros. Eu costumava dizer, “O sentimento de culpa só dá até ao primeiro desapontamento.” As crianças pobres ainda são crianças. Não ficam sempre gratas nem animadas pela oportunidade de ler a Bíblia com um adulto. No meu primeiro ano de ministério, um casal idoso e muito simpático veio para servir. Mas foi imediatamente evidente que eles pertenciam a este primeiro grupo. Nós tentámos juntá-los em pares com crianças amáveis, mas havia muitos problemas. A menina quase nunca queria sair de casa, e a mãe não tinha interesse na igreja também. A esposa do casal todas as terças feiras costumava telefonar-me a chorar sobre esta situação. E a família do menino ia aproveitar-se muito desta família. A mãe sempre mandava o menino pedir dinheiro para mercearias. E, no início eles sempre davam – contra a nossa regra. Eu lembro-me de dizer ao meu colega, muitas vezes, este casal não vai sobreviver um ano. E, provavelmente, os meninos também nunca vão regressar à igreja. Mas, Deus estava a trabalhar. O casal acabou o ano no ministério. E depois das férias do Verão, eles regressaram. No primeiro dia, o homem disse-me, “Nós falámos muito sobre este ministério durante o verão. Queríamos deixá-lo. Mas achamos que Deus nos tem colocado aqui por uma razão. Sabemos que fizemos muitos erros no ano passado. Vamos tentar outra vez, e com os mesmos meninos.” E eles cresciam muito, para nosso espanto. Há sete anos que estão com os mesmos meninos. Agora a mãe da menina faz parte duma igreja e a menina quase sempre quer passar tempo com a mulher. E o menino vai acabar o liceu no próximo ano e é um líder na nossa igreja. Este casal é um bom exemplo para todos os outros neste programa, porque eles entendem como Deus pode usar alguém mesmo com motivos imperfeitos mas com o coração pronto a servir. Eles tinham e ainda têm o poder de Deus para servir.

Então, 2 Coríntios 4:7. O nosso poder pertence a Deus e devemos usá-lo para Deus. Não é de nós. Devemos ter confiança e ser humildes. E precisamos de encorajar todos os cristãos a servir – com as nossas palavras e as nossas acções. Porque Deus vai usar qualquer pessoa que esteja disposta, conforme a Sua vontade. Eu agradeço a Deus por nos dar o seu poder e por escolher usar-nos numa tarefa tão importante para o seu propósito.

Anúncios

Sal e Luz

Maio 30, 2011

[Um sermão para a Igreja de Cristo em Carcavelos, 8 Maio 2011]

Deus tem uma missão e nós temos um papel importante nesta missão. Esta missão é a mesma missão para qual Jesus chamou os seus discípulos. Jesus descreveu o nosso papel como sal e luz. Mateus 5:13-16.

Estas duas metáforas destacam dois aspectos da vida cristã.

Nós somos o sal. O sal é único para um propósito exclusivo. Não há mais nada que tenha o sabor do sal e a sua capacidade para preservar a comida. O povo de Deus é único também para um propósito especial. Esta é uma verdade fundamental do Novo Testamento e do Velho Testamento. Deus separou-nos do mundo para lhe dar glória. Deus disse aos Israelitas no Sinai, “Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos separei dos povos” (Levítico 20:24). E Paulo disse, em Romanos 12:2, “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Então nós somos diferentes das pessoas que não têm Cristo na vida.

Eu gosto desta frase de Paulo em Romanos 12, “a renovação da mente.” É como a remodelação dum prédio ou duma loja no centro comercial; é preciso tirar tudo dentro para que possamos reconstruí-la com outras coisas. Paulo usou uma outra maneira para descrever isto em Colossenses 3:1-4. Precisamos de “pensar nas coisas que são de cima.” Em Grego é mais como “colocar a nossa mente nas coisas de cima.” Não é só pensar. É uma relocalização; tudo muda. Precisamos de nos treinar para nos concentrarmos menos nas coisas deste mundo e mais nas coisas eternas.

Eu gosto muito dos salgados Portugueses. Os meus preferidos são empadas e chamuças. Fazem o perfeito lanchinho depois dum dia de aulas de Português com uma cola fresca. Mas, sem o sabor salgado, estes lanches iam ser insossos. É o mesmo connosco. “Se o sal for insípido, com que se há-de salgar?” Se nós não formos diferentes do mundo, somos inúteis. Não podemos cumprir o propósito que Deus tem para nós. Ou, como o Danny disse, “para sermos bem úteis na missão de Deus, temos primeiramente que ser fiéis a Deus.” Se nós parecermos iguais às pessoas sem Cristo, qual é o nosso propósito? Se seguir Jesus não tem feito uma diferença na sua vida, então estar aqui é uma grande perca de tempo. “O sal sem sabor não serve de nada.”

Temos um papel da missão de Deus. Nós somos o sal. Nós somos diferentes do mundo. E Deus quer usar-nos para preservar o mundo. Deus separou-nos do mundo para lhe dar glória e reconciliar o mundo consigo. Precisamos de focar mais nas coisas que são de cima. Precisamos de praticar obediência à chamada de Deus. E se nós estivermos a viver como sal, as outras pessoas vão notar que somos diferentes. Isso faz parte da segunda metáfora.

Nós somos a luz do mundo. O mundo vive no escuro, mas nós somos a luz. Temos as respostas para as questões mais importantes. Porque é que estamos aqui? Qual é o significado da vida? E temos esperança. Em momentos alegres e momentos escuros, nós sabemos que Deus é o senhor sobre toda a sua criação. E temos uma responsabilidade com esta informação. Somos a luz porque levamos os outros a Deus. Levamos os outros a Deus em duas maneiras ligadas. Levamos os outros a Deus ao partilharmos o evangelho. E levamos os outros também quando fazemos a luz brilhar de qualquer tipo de escuridão. Toda a nossa vida é uma luz. Somos a luz quando nós vivemos diferentemente, porque as razões para as diferenças apontam outros para Deus. Somos a luz quando nós ajudamos uma pessoa que está a sofrer no escuro por causa da pobreza, fome, dor ou perca. Somos a luz quando outras pessoas vêem a nossa alegria, o nosso amor, a nossa esperança, ou o Espírito de Deus que vive dentro de nós.

Ninguém pode esconder esta luz. Se alguém não mostra a luz, esta pessoa realmente não é cristã. “Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte.” Outras pessoas vão ver a nossa luz, e temos a responsabilidade de partilhar porque nós somos diferentes destas pessoas. Esta é a ligação entre o sal e a luz. Como sal, somos únicos e as pessoas vão notar a nossa diferença. E isso dá oportunidades para partilhar o evangelho. Como Pedro escreveu. 1 Peter 3:15.

Deus tem uma missão e nós somos agentes desta missão. Somos o sal da terra e a luz do mundo. Temos uma responsabilidade ou uma tarefa, fazendo-nos embaixadores da parte de Cristo. Para vocês isso significa varias coisas.

  1. Continuem a focar mais nas coisas que são de cima. Não se preocupem com coisas deste mundo. Isso faz-nos diferentes das pessoas do mundo e torna-nos o sal da terra.
  2. Procurem oportunidades para partilhar a luz. Procurem a pessoa que nota a diferença em vós e usem a oportunidade para explicar porque é que são diferentes. Procurem também pessoas que não têm a luz e estão abertas para ouvir sobre O Caminho, A Verdade, e a Vida.
  3. Continuem a servir de ligação na corrente que Deus usa para alcançar os povos das outras nações. Vocês são um elo crucial entre os países Portugueses. Juntem-se a nós para encontrar maneiras em que vocês podem ser uma bênção – em que podem ser o sal e a luz – para Angola.

A nossa tarefa é simples. “Resplandeçamos a nossa luz para que os outros vejam as nossas boas obras e glorifiquem o nosso Pai que está no céu.” Obrigado por esta oportunidade para partilhar sobre a nossa parte desta tarefa. Estamos animados por ser unirem a nós nesta grande missão de Deus.

Como Jesus Transforma a Nossa Vida

Janeiro 26, 2011

[Um sermão para a Igreja de Cristo em Lisboa, 19 Dezembro 2010]

Temos estado a falar sobre vidas transformadas e este mês estamos a falar sobre como Jesus transforma as nossas vidas. Nos meus pensamentos, este assunto tem dois aspectos principais. O primeiro é o que Jesus tem feito por nós. No nascimento de Jesus, vemos que o amor de Deus por nós é tão grande que Ele mandou o seu Filho para viver uma vida humana, em que o maior parte das pessoas duvidavam, para sofrer perseguição e morrer na cruz, e (Esta é a melhor parte!) para ressuscitar para nos salvar da morte também. Esta realidade transforma a nossa vida. Temos vida por causa da vida e da ressurreição de Jesus. Temos esperança por causa das promessas de Jesus para a vida eterna e a vida presente. Temos o Espírito Santo para nosso guia, intérprete, e força por causa do nosso baptismo segundo o exemplo de Jesus. Temos uma vida transformada pelas acções e pelo grande amor de Jesus e o amor e graça de Deus. Este é o primeiro aspecto duma vida transformada por Jesus.

Este aspecto da vida cristã realmente é o primeiro aspecto porque temos de entender e crer em Jesus e o que Jesus tem feito por nós para que o segundo aspecto da vida cristã tenha significado, relevância, e força na nossa vida.

 

A transformação que Jesus faz nas nossas vidas não pára com as coisas que Jesus tem feito. Jesus transforma as nossas vidas também pela nossa resposta às suas acções. Transforma-nos porque nos ama e transforma-nos pelo nosso amor para Ele. Mas este amor não é o mesmo amor sobre o que o mundo fala. É diferente. O amor verdadeiro para Jesus não é só uma emoção; é também uma acção.

Em João 14, Jesus estava a falar com os seus discípulos. Ele disse-lhes que Ele é o caminho para o Pai; Ele é o caminho, a verdade, e a vida. Disse que eles precisam de conhecer e crer em Jesus porque ao conhecer e crer em Jesus, eles iam conhecer Deus. Em outras palavras, para ter um relacionamento com Deus, precisam conhecer e crer no que Jesus estava a fazer por eles e por nós. Isso é o primeiro passo. Depois, em 14:15 Jesus continuou,

“Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.”

A nossa crença e o nosso amor por Jesus não se pode desligar da nossa obediência aos mandamentos de Jesus. Mas esta não foi uma nova doutrina de Jesus. Para as Israelitas era sempre assim. Crer e amar Deus significa também obedecer. Em Deuteronómio 10:12-13 Moisés disse,

“Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, que guardes os mandamentos do Senhor, e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno para o teu bem?”

Moisés ligou o amor de Deus com o servir a Deus e a guardar os seus mandamentos. Jesus continuou esta doutrina. É o mundo moderno que separa emoção ou pensamento de acção. Há muitas pessoas hoje que pensam que podem amar Jesus sem guardar os seus mandamentos. Pensam que amor é a coisa mais importante e obediência é menos importante. Mas este não é o amor da Bíblia. Os dois, amor e obediência, são ligados nas escrituras. E esta ligação chama-se ‘aliança.’

Para os Israelitas, o centro da vida era a sua aliança com Deus. E o centro desta aliança era os dez mandamentos. Os dez mandamentos, nos dois lugares onde estão situados – em Êxodo 20 e Deuteronómio 5, começam com o que Deus tem feito para os Israelitas.

“Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei do Egipto, da casa da servidão.”

O que Deus tem feito é a origem da aliança. E a aliança é a origem dos mandamentos. Então, o amor de Deus é, primeiro, reconhecer o que Deus tem feito e segundo, responder com obediência.

 

Esta aliança é o contexto para o ministério de Jesus. Jesus renovou a aliança com o seu povo – porque em Jesus, Deus tirou o seu povo da casa da servidão outra vez (esta vez, foi servidão a pecado) e Ele dá um exemplo duma vida obediente para nós seguirmos.

Então, aqui queria fazer um intervalo destes pensamentos. O que eu acabei de descrever é o evangelho: a história de Deus e o Seu povo; a ligação entre as acções dEle e a nossa obediência. Acho que nós todos sabemos bem estas coisas. Vamos pensar, portanto, como a viver em aliança com Deus transforma a nossa vida.

O que é obediência? Obediência realmente é uma maneira de transformação. Causa-nos mudar a maneira em que nos vivemos. Mas obediência é mais do que seguir algumas regras. Muitas pessoas no mundo seguem estas regras: não matarás; não adulterarás; não furtarás. Isso não faz estas pessoas crentes em Deus, nem obedientes a Deus. A servir ao Senhor nosso Deus de todo o nosso coração e de toda a nossa alma é mais do que seguir as regras. Seguir os mandamentos de Deus é só o início de nossa transformação. Se nós continuarmos a crescer em nossa obediência, também vamos amadurecer no nosso amor por Deus. É o nosso amor por Deus que dá significado, relevância, e força à nossa obediência.

Regras podem levar-nos pensar da vida cristã como branco e preto. Pensamos, enquanto eu estou fazer isso (ou, mais provável, enquanto não estou a fazer isso), está tudo bem. Mas este tipo de vida é estático; não é crescimento. A vida verdadeira cristã deve crescer. Nós estamos sempre a tentar viver mais e mais como Jesus.

Jesus ensinou isso. Por exemplo, no sermão da montanha Jesus disse,

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás … Eu, porém, vos digo que todo aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.”

Esta doutrina de Jesus tem origem na aliança, e para Jesus não é simplesmente uma regra sobre homicídio. A regra é só o início para guiar-nos aos melhores relacionamentos. Jesus não estava a mudar as regras; estava a guiar-nos a uma vida mais obediente. Realmente isso foi a intenção de Deus na aliança mais velha. O primeiro lugar onde a Bíblia disse, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” é Levítico 19.

Mais um exemplo. Quando um homem rico veio a Jesus e perguntou, “Que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?” Jesus respondeu, “Guarda os mandamentos.” O homem replicou, “Tudo isso tenho observado; que me falta ainda?” E disse-lhe Jesus, “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.”

Outra vez, Jesus começou com a aliança. Mas este homem disse que tinha guardado todos os mandamentos. Então Jesus mostrou que a vida cristã é mais do que guardar os mandamentos. Outra vez, Jesus estava a guiar-nos aos melhores relacionamentos. Este exemplo é um pouco mais difícil para nós porque ninguém quer vender os seus bens. Também se todos nós tentássemos seguir esta doutrina literalmente, íamos ter uma sala cheia de pessoas nuas, sem casas. Geralmente, portanto, cristãos removem qualquer medida de obediência deste texto. Dizem que só tem significado espiritual. “Não gostem demais dos vossos bens.” Mas acho que isso não é fiel à missão de Jesus. Jesus estava a guiar-nos a uma vida mais obediente. Talvez precisemos de dar mais e mais aos outros; e ao dar-lhes crescemos em obediência e amor.

Então obediência é transformação. Enquanto nós obedecemos, ficamos mais e mais como Jesus. Nós crescemos em fé e em amor. E espero que enquanto nós ficamos mais e mais como Jesus, obediência vai ficar cada vez mais fácil. (Mas eu ainda não estou lá.) Os mandamentos de Deus guiam-nos numa vida cheia do Espírito Santo, reflectindo a imagem de Deus, que é uma luz no mundo.

Mais um pensamento. Se nós estivermos a ser transformados pela nossa obediência, de que é que estamos a ser transformados? O mundo vive com valores diferentes. Se nós vivermos em aliança com Deus, vamos parecer diferentes de outros. E o mundo vai reagir em uma de duas maneiras. Ou as pessoas vão questionar-nos sobre o nosso comportamento diferente, ou eles vão perseguir-nos por causa da diferença. Nos dois resultados, continuamos a crescer e a glorificar a Deus. Uma parte importante da nossa obediência é aproveitar as oportunidades de partilhar a nossa fé que é vista na maneira diferente em que vivemos e ter por motivo de toda alegria o passar por várias provações.

Então queria desafiar-nos a pensar como a transformação de Deus pode continuar na nossa vida. Onde é que podemos crescer na nossa obediência? Onde é que nos podemos esforçar mais para crescer além de guardar os mandamentos até reflectirmos melhor a imagem de Deus? Este Natal, celebramos a incarnação de Jesus e a transformação que Ele traz. Espero que Deus nos abençoe com um melhor entendimento da sua Palavra sobre o que Ele tem feito por nós através do seu Filho.

A Tua Reputação Pode Seguir-te

Agosto 30, 2010

Nos adorámos ir aos acampamentos no Verão e passámos quase três semanas todos os Verões no acampamento com os jovens de Silver City em Little Rock. Quando o Ricardo e a Diana Neves – o pastor e a esposa dele – começaram a planear o acampamento para a igreja cá em Portugal, uma pessoa da nossa equipa mencionou a nossa experiência e os Neveses recrutaramo-nos logo. O Robert escreveu o currículo bíblico com a ajuda da nossa professora, a Eunice, e a Teague e a Jordan planearam os jantares e os jogos. Tivemos uma semana fantástica com 35 jovens de três igrejas diferentes e mais seis adultos. O Robert fez os devocionais todos as manhãs e a Teague era a chefe dos cozinheiros. O Efesson e o Biruk também adoraram o acampamento e começaram a aprender muitas frases e palavras Portuguesas. O Efesson especialmente está pronto para aprender Português para que ele possa comunicar com os novos amigos dele.

A igreja de Lisboa é uma bênção enorme para nós. Tentamos ser o mais ativos possíveis na família da igreja. O Robert deu uma mensagem antes de oferta no domingo. Ele também cozinhou para jantar na reunião de oração numa semana passada. A Teague ajudou a preparar e a decorar para o casamento dos nossos amigos, o Johnny e a Susana, e também para uns chás de bebé recentement. Mais do que boa prática em Português, estas oportunidades têm nos ajudado a fazer amizades especiais cá em Portugal.

Vai houver mais conteúdo no blog da Teague em breve: http://robertandteague.com/.

No futuro todas as nossas noticias atualizadas vão estar aqui para os nossos amigos que lêem em Português.

A Teague cozinhou frango para 43 pessoas, o Efesson era o guarda-redes, o Biruk foi à piscina para a primeira vez, e o Robert tocou a vuvuzela para chamar os jovens para pequeno-almoço.